O ex-deputado federal e ex-ministro da Agricultura do governo de Dilma Rousseff, Neri Geller, concedeu entrevista à Band FM Juína nesta terça-feira (10), e abordou temas que envolvem política, agronegócio e os desafios econômicos de Mato Grosso. Um dos poucos líderes do agro que apoiaram publicamente a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, Geller avaliou o atual momento da relação entre o setor produtivo e o governo federal.
Segundo ele, apesar de ainda existir certa resistência de parte do agronegócio ao governo, o diálogo institucional tem avançado. Para Geller, a relação entre o setor e Brasília precisa ser baseada em pragmatismo e resultados. “O agro precisa de estabilidade, crédito, logística e mercado. Quando há diálogo técnico, as coisas avançam”, destacou.
Durante a entrevista, Geller também comentou dois dos momentos mais delicados de sua trajetória política: a cassação de seu mandato como deputado federal e a posterior reversão da decisão pelo Tribunal Superior Eleitoral.
O ex-ministro afirmou que o episódio foi difícil do ponto de vista pessoal e político, mas ressaltou que a reversão da decisão reforçou sua convicção de que a Justiça prevaleceu ao final do processo. Segundo ele, o caso deixou aprendizados sobre o ambiente político cada vez mais judicializado no país.
Outro tema abordado foi a crise envolvendo o leilão de arroz, episódio que acabou levando à sua saída do governo. Geller avaliou o caso como um momento de forte pressão política e administrativa. Na avaliação dele, decisões técnicas muitas vezes acabam sendo interpretadas dentro de disputas políticas maiores.
Questionado se considera ter pago um preço político maior do que deveria nesse episódio, o ex-ministro disse que situações de governo frequentemente exigem responsabilidade pública, mesmo quando há controvérsias sobre as decisões tomadas.
Falando sobre o futuro econômico de Mato Grosso, Geller apontou que o maior desafio do estado continua sendo a infraestrutura e a logística para escoamento da produção agrícola. Segundo ele, apesar da força do agronegócio, o crescimento sustentável depende de investimentos em estradas, ferrovias e armazenagem.
Ele também destacou que o agronegócio brasileiro vive hoje um momento de maior exposição política. Para Geller, o setor sempre foi técnico, mas passou a ter participação mais ativa no debate político nacional, especialmente diante de temas como crédito rural, política ambiental e comércio internacional.
Ao final da entrevista, o ex-ministro afirmou que, se pudesse sugerir uma mudança imediata nas decisões do governo federal para o setor, priorizaria políticas que garantam previsibilidade econômica ao produtor rural.
Segundo Geller, segurança jurídica, planejamento logístico e acesso a financiamento continuam sendo pilares fundamentais para manter o Brasil competitivo no cenário agrícola mundial.
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