A humanização da saúde e a importância da relação entre médico e paciente na opinião do psiquiatra e professor do Serviço de Psiquiatria e Psicologia Médica do Hospital da UFRJ Maurício Tostes (Jornal Futura - 14/07/2014)
Veja a matéria do Jornal Futura sobre o atendimento humanizado na área da saúde: • O atendimento humanizado na área da s...
Maurício é autor do livro “Desencontro do Médico com o Paciente: o que pensam os Médicos?”, baseado em entrevistas com médicos sobre o tema da Relação Médico-Paciente.
Ele acredita que uma reflexão por atendimentos mais humanizados tem acontecido nos últimos anos. Isso surgiu ligado aos atendimentos de saúde mental e à humanização do parto. A partir de então, medidas que encarem o paciente como humano, com suas pessoalidades, problemas, traumas e anseios têm recebido grande investimento e atenção. Há um histórico de insatisfação e queixas com relação ao atendimento hospitalar em termos de saúde pública. Muitos avanços técnicos e relacionados à tecnologia e ao tratamento nem sempre foram acompanhados em mudanças no que se refere ao recebimento e no atendimento aos pacientes.
No entanto, a humanização tem mais um lado que nem sempre é explorado: o lado do médico. Muitos profissionais se sentem insatisfeitos em suas atuações diárias, estão desconfortáveis em seus locais de trabalho, não têm espaço para diálogo sobre suas condições, nem sempre têm todos os equipamentos necessários para realizar trabalhos com qualidade. Isso, é claro, compromete o atendimento que será realizado. A relação médico-paciente fica comprometida.
Outra questão levantada por Maurício se refere ao fato de que um hospital não é formado apenas por médicos. O corpo de enfermeiros, de assistência social, de recepção, de triagem. Todos devem estar preparados para uma compreensão mais humana da saúde. Tratar o paciente como um caso técnico é o pior erro que esses grupos de pessoas podem cometer. Isso porque muitas doenças e males podem estar relacionados a questões pessoais e emocionais. E, além: todo familiar quer que seu pai, filho ou marido seja tratado como a pessoa mais especial do mundo. Aquelas pessoas (os médicos, enfermeiros) farão parte da história do paciente. E esse tempo, de minutos, horas ou dias, precisa ser vivido da melhor forma possível. Esses momentos provocam reflexões, suscitam mudanças – são, portanto, importantes.
No Brasil, as políticas públicas nesse sentido têm caminhado num sentido muito eficaz aos olhos de Maurício. Aos poucos, diversos setores de inúmeras instituições têm criado núcleos de humanização, que envolvam todo o corpo hospitalar, a fim de mostrar que todos são pacientes em potencial, inclusive os próprios médicos, e, por isso, um olhar mais humano para causas humanas é essencial.
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