Turismo Industrial “A transformação da Lã», com especial participação de Albano Morgado S.A.
À Redescoberta do Património Industrial de Castanheira de Pera
Há muitos séculos atrás, os castanheirenses resolveram aproveitar os recursos naturais locais e desenvolver as artes e os ofícios que sabiam. Havia pastagens, rebanhos, lãs, boas águas, gente que sabia tosquiar, fiar, cardar, tecer, pisoar e tingir. Assim, nasceu a arte dos lanifícios em Castanheira de Pera.
Predominou uma produção artesanal até 1860, altura em que foi criada a primeira fábrica.
José Antão fundou a primeira fábrica do concelho, na Abelheira de Baixo, movida por roda hidráulica. JFábrica da Retorta [clique para ampliar]osé Antão era um comerciante ambulante da Gestosa Fundeira, que comprava os seus artigos no Porto e vendia-os ou trocava-os por lã no Alentejo. De espírito arguto, resolveu manufacturar a sua lã, fundando, em 1860, uma fábrica.
Muitas fábricas se seguiram: Retorta, Várzea, Safrujo, Esconhais, Rapos, Pereiros, Torgal, Bolo, Foz, entre outras.
Um grande amor à terra, as naturais tradições do fabrico de lanifícios e a fonte de energia natural, que era a Ribeira de Pera, favoreceram este surto de desenvolvimento. A população não dependia, agora, apenas de uma agricultura de subsistência, das migrações para o Ribatejo e Alentejo, da emigração para o Brasil ou dos seus rebanhos, pisões ou teares caseiros; havia as fábricas.
A implantação industrial foi o motor de desenvolvimento de Castanheira de Pera, que chegou a ser o terceiro centro nacional da indústria de lanifícios.
Os Lanifícios na Ribeira de Pera
A Manufatura da Lã e os Pisões
Solos pedregosos, predominantemente xistosos, as pequenas leiras férteis, duramente amanhadas entre botaréus e socalcos, eram de curto sustento para o desenvolvimento da agricultura familiar. Na base da economia agrossilvopastoril, as numerosas cabeças dos rebanhos lanígeros cobrem os pastos nas serras, fornecendo a matéria-prima para a manufatura dos lanifícios na tecelagem dos tradicionais buréis, surrobecos e mantas.
O primeiro registo documental que atesta a importância da pastorícia no sustento dos povoados que habitam as margens da Ribeira de Pera é uma sentença judicial de 1467, no apelo feito a Afonso V por cinco casais de pastores deste lado da serra, na contenda que os opunha aos juízes da Lousã sobre o uso das pastagens nos terrenos baldios para lá dos termos do concelho.
No cumprimento do Regimento da Fábrica de Panos de 1573, promulgado por D. Sebastião, a Câmara de Pedrógão Grande procede, no ano seguinte, à nomeação dos juízes e vedores encarregues de examinar os bons ofícios dos cardadores, tecedeiras, tecelões e pisoeiros na manufatura das lãs e do linho.
Em 1839, na resposta ao inquérito da Câmara dos Deputados dedicado ao exame da “indústria agrícola, fabril e comercial”, a Câmara de Pedrógão Grande não procedeu à nomeação de um “representante da classe fabril, por não haver no concelho”, mais precisando os moldes artesanais da fabricação de panos de linho e de lã.
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