O álbum “More”, lançado em 1969, ocupa um lugar muito particular na discografia do Pink Floyd. Trata-se da primeira trilha sonora oficial da banda, composta para o filme homônimo do diretor Barbet Schroeder, e também de um registro que captura perfeitamente o momento de transição do grupo após a saída de Syd Barrett. Diferente dos discos conceituais e grandiosos que viriam nos anos 70, More é um trabalho fragmentado, experimental e profundamente atmosférico, refletindo tanto as imagens do filme quanto a busca da banda por uma nova identidade sonora.
Musicalmente, More apresenta um Pink Floyd dividido entre dois mundos. De um lado, surgem faixas acústicas, suaves e contemplativas, como “Green Is the Colour” e “Cymbaline”, que evidenciam a sensibilidade melódica de David Gilmour e o lirismo introspectivo de Roger Waters. Essas músicas têm um clima quase pastoral, delicado, contrastando com a temática pesada do filme, que aborda drogas, alienação e desilusão.
Do outro lado, o disco traz momentos crus, ruidosos e experimentais, como “The Nile Song” — surpreendentemente pesada, quase proto-hard rock — e “Ibiza Bar”, que revelam uma banda disposta a explorar volumes altos, riffs agressivos e uma sonoridade mais direta. Essas faixas mostram que o Pink Floyd, mesmo associado ao psicodelismo espacial, também flertava com o rock mais visceral.
Há ainda os instrumentais e climas sonoros, como “Quicksilver”, “Main Theme” e “More Blues”, que funcionam como paisagens auditivas. Nessas faixas, a banda explora efeitos, ecos, órgãos e guitarras etéreas, criando trilhas que se conectam mais à imagem do que à estrutura tradicional da canção. É nesse ponto que More se aproxima bastante das experiências de Ummagumma e das apresentações ao vivo da época.
Embora muitas vezes considerado um disco menor dentro da discografia do Pink Floyd, More é fundamental para entender a fase de experimentação do final dos anos 60. Ele não tem a coesão conceitual de The Dark Side of the Moon nem a ousadia estrutural de Meddle, mas documenta um grupo em movimento, testando caminhos, errando, acertando e ampliando seus horizontes criativos.
Para os fãs de vinil e da história da banda, More é um álbum que merece atenção especial. Ele soa quase como um diário sonoro, um registro honesto de um Pink Floyd ainda em formação definitiva, livre das amarras comerciais e totalmente entregue à experimentação artística. Um disco que talvez não seja o mais celebrado, mas que carrega um valor histórico e emocional enorme dentro da trajetória da banda.
#PinkFloyd #More1969 #RockPsicodélico #TrilhaSonora #PinkFloydAnos60 #Vinil #RockClássico #HistóriaDoRock #RockExperimental
Информация по комментариям в разработке