Pedro estava em Baldur’s Gate quando tudo começou, com rumores, refugiados e uma cidade à beira do colapso. Elturel havia desaparecido, arrancada do céu em um clarão infernal que deixou medo, perguntas e uma sombra que parecia se estender até o próprio Inferno. Baldur’s Gate, abarrotada de sobreviventes. Pedro ganhava a vida onde sempre ganhara: tavernas cheias, corações vazios. Suas ilusões criavam pequenos milagres para aliviar o desespero, reconstruções de Elturel como ela fora. Alguns choravam. Outros pagavam bem. Foi isso que chamou atenção indesejada. Recrutado pelos Punhos Flamejantes, Pedro reuniu-se novamente a seu grupo de colegas aventureiros para investigar atividades cultistas ligadas aos assassinatos na cidade. Ele não era um herói, mas era útil: ilusões distraíam, confundiam e evitavam confrontos diretos. Durante a investigação no Banho Público, teve o primeiro contato real com o toque infernal da conspiração. Símbolos reagiam às suas magias como se o Inferno estivesse observando. E estava. Quando descobriram que Elturel fora arrastada para Avernus por um pacto antigo, Pedro já estava envolvido demais para partir. Algo nele acreditava que ilusão suficiente poderia enganar até o Inferno. A jornada os levou a Candlekeep, onde Pedro testemunhou o contrato de Thavius Kreeg, selado com Zariel. Enquanto outros viam apenas condenação, Pedro enxergou estrutura. O contrato não era apenas infernal, era narrativo. Cláusulas como versos, punições como refrãos. Ele compreendeu que o Inferno funcionava como uma história que se repetia eternamente, e quis aprender a cantá-la. Quando o portal para Avernus foi aberto, Pedro atravessou como observador fascinado. O céu em chamas e a guerra eterna soavam como uma paródia cruel das canções épicas que conhecia. Suas ilusões funcionavam bem demais ali. Os diabos viam o que queriam ver. Foi em um entreposto infernal que Pedro conheceu Zarielyn, uma diaba ligada à burocracia infernal, responsável por contratos incompletos. Ela deveria tê-lo denunciado, mas Pedro criou uma ilusão. Não uma mentira, uma lembrança. Mostrou Elturel antes da queda: torres banhadas em luz, o Companheiro brilhando como um falso anjo. Uma cidade sustentada por fé cega e promessas mal escritas. Zarielyn reconheceu aquilo de imediato. Era a mesma mentira que sustentava o Inferno. Eles passaram a se encontrar em intervalos roubados do tempo eterno de Avernus. Pedro aprendeu sobre ideais levados longe demais. Zarielyn aprendeu sobre músicas que não serviam para dominar, apenas para sentir. O amor deles era impossível. Diabos existem para cumprir funções. Mortais existem para perder tudo. Quando a escolha veio, permanecer em Avernus ou partir. Pedro percebeu a verdade cruel: o Inferno sempre vence quando alguém escolhe honestamente. Então ele mentiu. Criou uma ilusão perfeita de submissão e assinou um pacto falso diante de testemunhas infernais. Por um breve e raríssimo momento, Avernus acreditou. O verdadeiro Pedro foi lançado de volta ao plano material. Zarielyn descobriu a verdade tarde demais. Desde então, enquanto a campanha segue, com o destino de Elturel e de Zariel em jogo, existe uma verdade paralela.
Quando a cidade caiu do céu,
E o fogo tomou o chão,
Um bardo seguiu promessas
Que não cabem num refrão.
Entre contratos e cinzas,
Cantou pra não enlouquecer,
Pois no Inferno até a esperança
Aprende a se esconder.
Ele mentia com beleza,
Criava luz onde há dor,
Fazia o caos parecer sonho
E o ódio virar amor.
Foi assim que entre as chamas
Um olhar o desarmou,
Não veio com aço ou correntes,
Mas com silêncio e atenção.
Ela conhecia as leis do fogo,
Ele as notas do ar,
Dois erros na mesma história
Que o Inferno quis cobrar.
Era um amor proibido,
Escrito pra não durar,
Um canto feito de ilusão
Que o fogo quis apagar.
Pois quando um diabo ama um mortal
O preço é sempre o adeus,
E o Inferno cobra em dor
Tudo aquilo que é dos céus.
Ele mostrou céus que não queimam,
Rios que sabem cantar,
Um reflexo sem chifres ou asas,
Só alguém querendo escapar.
Ela ensinou verdades antigas,
Palavras que selam o fim,
Protegendo-o nas entrelinhas
De um destino ruim.
Mas todo pacto tem testemunha,
Toda mentira, um custo real,
E até o amor mais sincero
Tem cláusula infernal.
Era um amor proibido,
Que o tempo não quis guardar,
Entre promessas e mentiras
Ninguém pôde ficar.
Ele escolheu a mais bela ilusão,
Ela ficou com a verdade,
E o fogo nunca esquece
O gosto da saudade.
Dizem que o Inferno hesitou
Por um único refrão,
Quando a mentira foi tão perfeita
Que enganou a condenação.
Mas amor não se escreve em contrato
Nem se prende em papel,
E o que foi salvo pela canção
Ainda arde sob o céu.
Era um amor impossível,
Que não devia existir,
Um ficou entre as chamas,
O outro aprendeu a partir.
E se o vento leva a melodia
Até um plano cruel,
Talvez ainda seja ouvida
Por quem espera em Avernus, fiel.
E o bardo segue cantando,
Mesmo sem querer lembrar,
Pois há notas que, quando tocadas,
Fazem o Inferno escutar.
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