Banco Central, juros altos e o impacto no emprego — e por que a escala 6x1 já acabou. No programa Mercado, da revista VEJA, a apresentadora Veruska Donato entrevista a economista Carla Beni, conselheira do Corecon-SP, sobre o papel do Banco Central na economia real, a defesa de um duplo mandato — inflação, mas também trabalho e renda — e a transformação silenciosa nas relações de trabalho, com o fim da escala 6x1.
Ao comentar uma entrevista concedida à TV Câmara, Carla explica que, no pós-pandemia, diversos bancos centrais passaram a adotar oficialmente uma dupla função. “O controle da inflação continua sendo central, mas emprego e renda também entram no objetivo”, afirma. Segundo ela, políticas monetárias muito restritivas, com juros elevados por longos períodos, reduzem a atividade econômica, mas têm um efeito colateral claro: aumento do desemprego.
Carla cita o exemplo recente dos Estados Unidos, onde o Banco Central optou por reduzir juros, mesmo diante de pressões inflacionárias, ao perceber a piora no mercado de trabalho. “A questão do emprego passou a ser mais importante do que a inflação naquele momento”, explica. Esse é, segundo ela, o verdadeiro significado do duplo mandato.
No Brasil, a economista critica o foco exclusivo na meta de inflação, fixada em 3% com margem estreita, o que contribui para manter a Selic em patamar elevado. Para Carla, isso penaliza o setor produtivo — que gera bens, serviços e empregos — enquanto beneficia quem vive de renda financeira. Ela lembra ainda que cada ponto percentual de alta da Selic representa bilhões de reais a mais em gastos com juros da dívida, mostrando que a política monetária também impacta diretamente a política fiscal.
Na parte final da entrevista, Veruska provoca um dos temas mais polêmicos do debate atual: o fim da escala 6x1. Carla é direta: “O fim da escala seis por um já veio, ele já está aí. Quem não percebeu vai ter problema”. Para ela, trata-se de uma mudança geracional irreversível. A nova geração não aceita jornadas exaustivas sem qualidade de vida, e isso já está afetando empresas de todos os setores.
A economista afirma que a sociedade começa a rever expectativas de consumo e serviços. Entregas imediatas, preços iguais todos os dias da semana e jornadas extremas passam a ser questionados. “As pessoas querem descansar, querem ter vida”, diz. Segundo Carla, empresas que se adaptaram a novas escalas colhem resultados positivos: trabalhadores mais produtivos, mais satisfeitos e maior lucratividade.
Ela compara a resistência atual ao fim da escala 6x1 às reações da Revolução Industrial, quando empresários diziam que não conseguiriam produzir sem trabalho infantil. “A gritaria é parecida. E, como naquela época, a sociedade vai mudar”, conclui.
➡️ Inscreva-se no canal da VEJA e ative o sininho para acompanhar o Mercado.
👍 Curta o vídeo e fortaleça o jornalismo da revista VEJA.
💬 Comente: o Brasil precisa de um Banco Central com foco também em emprego e renda? E a escala 6x1 tem futuro?
—————————————————————————
Assine VEJA: https://abr.ai/2VZw8dN
Confira as últimas notícias sobre o Brasil e o mundo: https://veja.abril.com.br/
SIGA VEJA NAS REDES SOCIAIS:
Instagram: / vejamais
Facebook: / veja
Twitter: / veja
Telegram: http://t.me/vejaoficial
Linkedin: / veja-com
TikTok: / revista_veja
Информация по комментариям в разработке