Os bastidores conturbados que separaram o elenco de "Jeannie é um Gênio" para sempre.
Por trás da magia da televisão, um homem lutava contra seus demônios enquanto uma mulher se tornava seu escudo.
Imagine por um momento o set de filmagem de "Jeannie é um Gênio" (I Dream of Jeannie). As luzes brilham, as risadas gravadas ressoam, mas quando o diretor grita "corta", a realidade se estilhaça. Larry Hagman, o homem que dava vida ao encantador astronauta Tony Nelson, desabava em choro pelo menos uma vez por mês em pleno set. Por trás daquele sorriso de galã americano, escondia-se um abismo: Hagman bebia cinco garrafas de champanhe por dia, experimentava LSD entre as tomadas e caía em uma espiral de escuridão que aterrorizava seus colegas.
Durante cinco longos anos, Barbara Eden, sua co-protagonista, fez muito mais do que atuar; ela o encobriu. Ela o protegeu dos executivos da emissora que queriam demiti-lo, e protegê-lo significou viver situações e comportamentos que, até hoje, ela prefere não descrever completamente. Décadas mais tarde, quando se reuniram na série "Dallas", algo estranho aconteceu: todos perceberam que aquela conexão invisível entre eles nunca havia se rompido.
Tudo começou em 1964, quando a NBC buscava o protagonista perfeito. Queriam um astronauta alinhado, tranquilo, alguém que pudesse manter a calma ao lado de uma gênia mágica. Larry Hagman não se encaixava nesse molde. Tinha 33 anos e era uma pilha de nervos e energia inquieta. Em sua primeira reunião, em vez de ler o roteiro, começou a improvisar, distorcendo os diálogos como se estivesse em um teatro experimental. Sidney Sheldon, o criador, observava divertido, mas cauteloso; sabia que a televisão não poderia sobreviver ao caos semanal. A emissora o rejeitou várias vezes, mas Sheldon viu algo diferente: aquela energia solta e imprevisível poderia ser exatamente o que manteria o programa vivo. Assumiu o risco e Larry conseguiu o trabalho.
Barbara Eden sentiu essa faísca imediatamente. Desde o primeiro ensaio, viu algo que nenhum outro ator tinha. O astronauta nervoso e a gênia de olhos grandes se encaixavam como peças perfeitas de um quebra-cabeça. Por isso, quando a NBC começou a duvidar de Hagman após algumas primeiras semanas tensas, ela se manteve firme. Disse a eles que trocar o protagonista arruinaria a magia do programa. Conta-se que ela até invadiu o escritório de Sheldon e declarou que não haveria Jeannie sem Larry. Talvez seja uma lenda, mas a verdade é que sua lealdade foi a única coisa que impediu que o substituíssem. Essa lealdade se tornou o fio que manteve o programa unido.
Na primeira leitura de roteiro em 1965, Hagman agiu como se estivesse de volta ao teatro. Movia-se, lançava piadas não escritas e fazia a sala explodir com um humor selvagem e ansioso. Barbara e Bill Daily não paravam de rir, mas os produtores estavam preocupados. Temiam que o público visse Tony Nelson como alguém instável em vez de divertido. Sheldon teve que chamá-lo de lado e pedir que se ativesse ao roteiro; não havia tempo para longas improvisações na televisão semanal. Larry concordou, mas aquele nervosismo nunca foi embora; tornou-se parte do encanto de seu personagem.
No entanto, fora das câmeras, enquanto o vínculo entre Hagman e Eden se fortalecia, sua vida pessoal começava a desmoronar. Por trás do engenho rápido, ele bebia muito e fumava para manter a calma. Durante os anos da série, confessou que podia consumir múltiplas garrafas de champanhe por dia. Às vezes era para acalmar os nervos, outras vezes simplesmente para apagar o ruído em sua cabeça. Seus estados de humor eram imprevisíveis, oscilando do riso à ira sem aviso prévio. Ainda assim, Eden seguia ao seu lado, acalmando a tempestade cada vez que os produtores pensavam em demiti-lo. A química deles salvou o programa, mas tragicamente, também permitiu que seu vício crescesse nas sombras.
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