O Janela Internacional 142 aprofunda o debate sobre o novo ciclo do trumpismo a partir de um ângulo decisivo: a formação de redes de intelectuais, think tanks e organizações conservadoras que prepararam, com antecedência, a agenda e a máquina política do Trump 2.0 — explicando por que o segundo governo chegou mais rápido, mais eficiente e mais radical.
No primeiro bloco, discutimos como o trumpismo não surge como evento aleatório, mas como um projeto racional gestado no médio prazo, especialmente a partir da crise de 2008 e do governo Obama. Analisamos a combinação entre desestabilização econômica da classe média, mudanças demográficas e culturais, e a capacidade da direita de construir narrativas coesas — em contraste com limites de mobilizações progressistas como o Occupy Wall Street. A partir daí, o programa examina a estruturação do ecossistema conservador em Washington e a consolidação de redes que desembocam no Projeto 2025, destacando o papel de organizações e articuladores que conectam quadros, financiamento, treinamento e ocupação de posições estratégicas no Estado.
Também discutimos a centralidade da política migratória como eixo ideológico e performático do trumpismo: o imigrante como bode expiatório para frustrações materiais, a encenação do “purgatório” das deportações e a substituição da ambiguidade histórica entre hospitalidade e hostilidade por uma política de coerção aberta — articulada ao desmonte do Estado social e ao discurso populista de “reconstrução doméstica” via cortes e reorientação de recursos.
No segundo bloco, o programa analisa o Oriente Médio e as linhas de continuidade e ruptura na política externa dos EUA. Debatemos como, por trás do estilo abrupto e empresarial de Trump, existem tradições históricas da política externa norte-americana (contenção, unilateralismo e “interesse nacional”), além de um reposicionamento do foco geopolítico: Gaza perde centralidade relativa enquanto crescem ameaças e ações espetaculares na América Latina.
A discussão entra no núcleo da crise regional: genocídio em Gaza, cessar-fogo precário, e o papel dos EUA na dinâmica Israel–Irã–Hamas–Qatar. Examinamos a disputa interpretativa entre “lobby israelense” e Israel como instrumento da política externa norte-americana, e como o governo Trump busca reafirmar autoridade — alternando sinal verde para ofensivas e pressão por cessar-fogo conforme seus objetivos. Também analisamos o peso das monarquias do Golfo, os limites e impasses dos Acordos de Abraão, a pressão da opinião pública árabe e o aumento da presença econômica de China e Rússia como elementos que podem reconfigurar os custos de alinhamento irrestrito a Israel.
Por fim, discutimos sinais de fissura no campo republicano a partir do discurso de “interesse nacional” (Israel, Ucrânia e OTAN), a retomada de tendências isolacionistas e o que isso pode significar para a política externa dos EUA nos próximos meses.
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