Entonações errantes da fruição em registro com as incapturáveis en-cantarias de Nhe'ery* na convivência das escutas pelas trilhas vivas da dissertação de mestrado de dani-vi intitulada "A CORPACHA DA EDUCAÇÃO COM MANOEL DE BARROS: en-cantações ameríndias e nomadismos cosmocorporais" (FE-USP, 2019-2023). Sopros úmidos de improvisação afetual.
Escutando ressonâncias ameríndias e vibrações nômadas na poética de Manoel de
Barros, esta pesquisa se movimenta pelos vivos, imprevisíveis, musicais, aquáticos,
celulares e cósmicos arranjos enquanto noções de corpo de acordo com trajetos
comunitariamente autoformativos das natuculturas de Abya Yala, desde suas
cosmopercepções, imaginários e epistemologias milenares. Corpos enquanto ambiências
musicalmente sonhadas e proliferadoras de nascentes vitais. Ambiências corporais
enquanto composições vivas de incontáveis pulsações errantes e transmigratórias que
não se cristalizam. Corpas-ambiências enquanto ocorrências de nomadismos
oniricamente elementares, hormonais, sonoros, microfísicos e coletivos no
metamorfoseante ventre de Pacha. Ventre musicalmente aquático e de inúmeras
primordialidades nômadas compositoras da cosmicidade corporal. Corpas-Pachas
en-cantadas por fluxo de metamorfose das escolas vivas que são as caminhadas nas
múltiplas afetações da convivência das escutas matriais (não-patriarcais), cósmicas
(não-binárias), afetuais (sem ideia de posse), biocêntricas (não-antropocêntricas),
cinestésicas, micro-libidinosas, nano-poligâmicas, estéticas, poéticas, crepusculares,
vibracionais, moleculares, errantes e transmutantes. Através do trajeto ancestral guarani
da pesquisadora, dos nomadismos de sua caminhada comunitária, musical, artística,
educadora e arte-medicinal, a educação cosmicamente nômada (cosmo-nômada) e
corporal (cosmo-corporal) de Manoel de Barros é reconhecida em harmonizações e
cacofonias com a fenomenologia compreensiva e a mitohermenêutica simbólica, dando
passagem a diversas vozes indígenas principalmente da contemporaneidade que
auxiliam na busca por um reflorestamento do imaginário necessário para sensíveis
(re)conhecimentos da corpa-pacha. Assim, a cosmicidade corporal vibrante na obra do
Poeta se torna potencial oportunidade de uma educação de sensibilidade decolonial e anticolonial ao mesmo espaçotempo que afirma saberes ancestrais sempre nascentes, sem cânones, educação transmissiva, ideia de professor-aluno, fora-dentro, sujeito-objeto e demais
coisificações/fixações/extrativismos do pensamento dicotômico. Corpacha sempre em
autoformação biocentricamente comunitária e nano-afetual pela noção de tradição
enquanto metamorfose e de metamorfose enquanto tradição. Ancestralidade jamais fixa,
transbordante nas mínimas ocorrências nômadas do dia a dia contemporâneo.
Palavras-chave: Culturas ameríndias; Corpo; Educação decolonial e anticolonial;
Nomadismo; Manoel de Barros.
(*) Nhe'ery significa "onde nos banhamos nas vibrações vitais" ou "onde os espíritos se banham". Assim conhecida pela milenar cultura guarani, a corpa Nhe'ery foi batizada e registrada como sendo "Mata Atlântica" pelos colonizadores. Batizada, registrada, objetificada, marginalizada e violentada pela monocultura da posse extratora das pulsações vitais. Mas Nhe'ery resiste, gota a gota, em cada mínima en-cantaria da metamorfose da vida.
Информация по комментариям в разработке