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PAROUVIR
músicas antigas
(0128)
título: "É Logo Alí"
intérprete: Dante Santoro (flauta) & seu Conjuncto Regional
idioma: instrumental (sem canto)
ano da gravação: 1937
autor: Dante Santoro
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Um "CONJUNTO REGIONAL" ou simplesmente "REGIONAL" é geralmente formado por um ou mais instrumentos musicais (como flauta, bandolim, cavaquinho, por exemplo) que executam a melodia, enquanto um cavaquinho tem um importante papel rítmico e também assume parte da harmonia; um ou mais violões formam a base harmônica do conjunto e um pandeiro pode atuar na marcação do ritmo base; além desses, outros instrumentos musicais podem eventualmente fazer parte de um "conjunto regional".
Esse tipo de conjunto instrumental já era utilizado no final do séc. XIX por "chorões" em seus "grupos de chôro". Nos anos 1920 esse tipo de conjunto passou a ser bastante utilizado também por grupos que se apresentavam cantando e tocando músicas regionais (como os "Turunas da Mauricéia" e outros grupos semelhantes); nessa época passou a ser chamado de "conjunto regional" e, pouco depois, simplesmente de "regional".
Também a partir da década de 1920 os "conjuntos regionais" passaram a ser muito solicitados por gravadoras de disco e por emissoras de rádio devido, principalmente, à excelência dos músicos que tradicionalmente compõem esse tipo de grupo, à pequena quantidade de componentes necessários para a atuação do grupo, e à versatilidade do grupo para atuar em vários gêneros e estilos, tanto tocando músicas instrumentais como fazendo o acompanhamento de cantores.
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Dante Italino Santoro (Porto Alegre - RS - 18/jun/1904 ● Rio de Janeiro - RJ - 12/ago/1969) foi um flautista, compositor, líder de conjunto regional, arranjador, e maestro que usou o nome Dante Santoro em suas atividades artísticas. Ainda rapazinho era chamado de "O Canário Rio-Grandense"; mais tarde ficou conhecido também como "Bico de Ouro". Era irmão do compositor Godofredo Santoro.
Filho de imigrantes italianos, Dante tinha cerca de 10 anos de idade quando a primeira flauta caiu em suas mãos. Logo depois começou a ter aulas com o compositor, bandolinista, violonista, arranjador, e professor Octávio Dutra (1884-1937), com quem aprendeu teoria musical. O talento do menino-prodígio era tanto que em 1919, com apenas 15 anos, ele estava no Rio de Janeiro como integrante de um grupo de músicos que faria uma turnê nos Estados Unidos e/ou na Europa. Porém, um acidente (não se sabe de que tipo) matou a todos, menos Dante, que, desconcertado, não teve outra coisa a fazer senão voltar para Porto Alegre. Entre 1921 e 1922 fez parte do grupo musical e bloco carnavalesco "Os Batutas", dirigido por seu mestre Octávio Dutra. Nessa época Dante já era chamado de "O Canário Rio-Grandense". As últimas notícias documentadas de Dante em terras gaúchas são sobre sua participação num concerto realizado em 1931 em homenagem a Octávio Dutra
No começo da década de 1930 Dante estava novamente no Rio de Janeiro, e dessa vez para ficar. Estudou, então, na Escola Nacional de Música para aperfeiçoar sua técnica. Pouco depois atuou como flautista em algumas emissoras de rádio até que em 1936 foi para a orquestra da Rádio Nacional, emissora que estava sendo inaugurada naquele ano. Por volta de 1939 assumiria o posto de diretor musical do Regional de Dante Santoro; nessa época ganharia o apelido "Bico de Ouro". Dante permaneceria trabalhando na Rádio Nacional durante 33 anos, 30 dos quais à frente do Regional.
Dante estreou no disco como flaustista e como compositor em 23 de fevereiro 1934, pela Victor, gravando quatro valsas no mesmo dia. As três primeiras foram "Beatriz", "Saudades do Jango", e "Nilva" (todas de autoria de seu mestre e amigo Octávio Dutra); a quarta foi "Hilda" (de sua autoria). Várias das cerca de 100 melodias compostas por Dante ganharam letras para serem gravadas com canto; entre os parceiros letristas que trabalharam com Dante destacam-se seu irmão Godofredo Santoro e sua amiga Scylla Gusmão.
Em 1956, pela Sinter, Dante gravou com seu conjunto a polca "Mate Amargo" (de sua autoria) e a valsa "Posso Sofrer" (feita em parceria com Giuseppe Ghiaroni). Depois desse que foi seu último disco gravado, foi afastando-se gradativamente da vida artística. Nos últimos tempos Dante estava num ostracismo quase completo. Chegava na Rádio Nacional, batia o ponto, e ficava esperando o trabalho que sabia que não viria. Chegou a montar um restaurante no térreo de sua casa, na Barra da Tijuca, mas só perdeu dinheiro, pois o bairro era longe demais de qualquer coisa e ele acabava não cobrando dos amigos que iam até lá.
Dante não fumava, mas, ironicamente, morreu vitimado por um enfisema pulmonar que o atormentou durante seus últimos meses de vida.
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