TEXTO ORIGINAL EM PORTUGUÊS
Sinfonias do ocaso - Cruz e Souza (1861-1898)
Musselinosas como brumas diurnas
Descem do ocaso as sombras harmoniosas,
Sombras veladas e musselinosas
Para as profundas solidões noturnas.
Sacrários virgens, sacrossantas urnas,
Os céus resplendem de sidéreas rosas,
Da Lua e das Estrelas majestosas
Iluminando a escuridão das furnas.
Ah! por estes sinfônicos ocasos
A terra exala aromas de áureos vasos,
Incensos de turíbulos divinos.
Os plenilúnios mórbidos vaporam...
E como que no Azul plangem e choram
Cítaras, harpas, bandolins, violinos...
TEXTO TRADUZIDO PARA O INGLÊS
Symphonies of the Sunset - Cruz e Souza (1861-1898)
Muslin-soft as diurnal mists,
From the sunset fall the shadowy harmonies,
Veiled shadows, muslin-delicate,
Into the deep nocturnal solitudes.
Virgin sanctuaries, most sacred urns,
The heavens gleam with sidereal roses;
From the majestic Moon and Stars
Light streams into the darkness of the caverns.
Ah! through these symphonic sunsets
The earth exhales aromas from golden vessels,
Incense from divine thuribles.
The languid full moons vaporize…
And as though in the Blue they wail and weep,
Citherns, harps, mandolins, violins…
SOBRE O POETA E SUA OBRA
João da Cruz e Sousa (Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis (SC), 24 de novembro de 1861 — Curral Novo (MG), 19 de março de 1898) foi um poeta brasileiro, reconhecido como o maior expoente do simbolismo no Brasil.
Cruz e Sousa era filho dos ex-escravos, alforriados, Guilherme da Cruz, mestre-pedreiro, e Carolina Eva da Conceição.
O grande poeta, ainda criança, foi apadrinhado pelo ex-senhor de seus pais, o marechal Guilherme Xavier de Sousa - de quem adotou o nome de família, Sousa, e pela sua mulher, Dona Clarinda Fagundes Xavier de Sousa.
Os dois proporcionaram ao menino uma educação esmerada e em pouco tempo o jovem já sabia francês, latim e grego; também foi aluno do alemão Fritz Müller que lhe ensinou matemática e ciências naturais.
O poeta, até por ser negro, desde cedo, abraçou a causa abolicionista e acabou recebendo as alcunhas de "Dante Negro", "Cisne Negro" e "Poeta Negro".
Nesse sentido, em1881, dirigiu o jornal Tribuna Popular, no qual combateu a escravidão e o preconceito racial.
Em 1883, foi nomeado e logo recusado - por ser negro - como promotor de justiça da cidade de Laguna (SC); recentemente, repararam a injustiça e declararam Cruz e Sousa como promotor público do Estado de Santa Catarina, um ato simbólico, sem reparação financeira aos descendentes.
Em 1885, o poeta lançou o primeiro livro, "Tropos e Fantasias", em parceria com Virgílio Várzea.
Em 1880, o poeta foi para o Rio de Janeiro e lá trabalhou como arquivista na Estrada de Ferro Central do Brasil, bem como colaborou com diversos jornais.
Em fevereiro de 1893, publicou "Missal" (prosa poética baudelairiana) e em agosto, "Broquéis" (poesia), dando início ao simbolismo no Brasil, movimento literário que se estendeu até 1922, momento que se inicia o modernismo no Brasil.
Cruz e Sousa foi grandemente influenciado pelo poeta francês Charles Baudelaire, o grande nome do simbolismo francês e mundial.
Cruz e Sousa, em vida, recebeu o reconhecimento do poeta Alphonsus de Guimaraens, de quem se tornou amigo íntimo, bem como dos, igualment, poetas Luiz Gama e Olavo Bilac, dentre outros.
Cruz e Sousa não foi homem de posses, mas também não foi um miserável e isso é uma dedução pessoal, baseado no que já li e pesquisei a seu respeito.
O grande reconhecimento e consolidação da genialidade de Cruz e Sousa veio com o advento do modernismo no início do século XX.
Um dado triste de sua vida pessoal foi que em novembro de 1893 o poeta se casou com Gavita Gonçalves, também negra, com quem teve quatro filhos, todos mortos prematuramente, vitimados pela tuberculose e, infelizmente, a morte dos filhos levou a mãe à loucura.
A MORTE DO POETA E O RECONHECIMENTO ENTRE OS SEUS
O poeta morreu em 19 de março de 1898 em Minas Gerais, por tuberculose, na localidade de Curral Novo, então pertencente ao município de Barbacena, mas seu corpo foi transportado para o Rio de Janeiro, onde foi sepultado no Cemitério de São Francisco Xavier por seus amigos, onde permaneceu até 2007, ano em que seus restos mortais foram então transladados para no Palácio Cruz e Sousa, antigo palácio de governo do estado de Santa Catarina, atual Museu Histórico de Santa Catarina, no centro de Florianópolis.
Cruz e Sousa é um dos patronos da Academia Catarinense de Letras, representando a cadeira número 15.
Felizmente, consegui adquirir toda a obra de Cruz e Sousa que vai um pouco além de "Missal" e "Broquéis".
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