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06. "Vida Severina"
Álbum: Antes de Mais Nada
Composição: Genezio / V.A.L.E. / Rato
Voz Adicional: Gisele Paschine
Selo: Truco6 Records
Arte: Bob Acosta (AGÊNCIA MANBO)
/ truco6records
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LETRA:
[GENEZIO]
depois de dias viajando encostado num pau-de-arara
amigos de longa data viram cruzes pela estrada
em busca de seu sonho, cidade grande
as adversidades são constante
nordestino avanta, vislumbrando a selva do ABC
miséria novamente ele vai ver, favelas vão crescer
na fábrica ele não vê o sol nascer, rabo de galo pra friaca rebater
o ar que ele respira é venenoso
a prensa desce, baiano tá arriscando seu pescoço
o frio de São Bernardo é cabuloso
seu corpo treme, coração geme, família depende, conhaque na mente
fica furioso
escuta a risada do chefe cuzão, se lembra do velho sertão
e chora trancafiado no vestiário, percebe que pobre honesto aqui é otário
sujeito homem, sem sobrenome, mais um que foge da fome
[REFRÃO]
vida severina, zica nordestina
bate as asas carcará, não consegue voar
vida severina, zica nordestina
bate as asas carcará, tá pensando em voltar
[V.A.L.E.]
dedos calejados provam do que é feito o passado
botas de camurça fazem trilhas no asfalto
projetou seus sonhos como nuvens lá no alto
quem que não quer, ter uma casa, carro, família saudável?
Sampa é capital da chuva e do polo industrial
desce no terminal, chega atrasado no trabalho
o chefe faz seu papel de maquiavel e dá um esculacho
vida do diacho, capacho do sindicato
peão se organizou e a greve começou, polícia chegou, chicote estralou
troca de tapas, borrachadas
o vaso não rachou e nem trincou, mas a flor tá quebrada
em meio a madrugada vejo um homem e suas lágrimas
quem é que fez meu mundo cão descer do meu nordeste pro inferno de sião?
encontra o sudeste, cabra-da-peste que faz arte usado como alicate na linha de produção
[REFRÃO]
[RATO]
começa logo cedo saindo da quebrada
na mochila um uniforme e uma quentinha embrulhada
busão, trem, metrô, varias condução
atravessando a cidade só pra garantir o pão não é fácil não...
ele tem que correr atrás, mata dois leões por dia porque um já não dá mais
patrão não se satisfaz, o trata com antipatia
mas não conhece o gosto de comer marmita fria
o corte na peça, firmeza no traço, pegando bloco e cimento só com a força do braço
oreiada do chefe, suportando o cansaço
não é só o bico da bota que tem que ser de aço
cidade é o tabuleiro, vive o jogo de xadrez
linha de frente, peão
sistema aqui é rei
porcos capitalistas, maldade que prolifera
tão comendo dinheiro fodendo com a atmosfera
não assimila o motivo de tanto sofrimento
sem água tratada a panela cozinha o vento
de joelhos faz a prece mas não descansa a mente
seu castelo de madeira pode ir com a enchente...
rugas de expressão são marcas da pele sofrida
sonhos são poeiras levantadas em cada varrida
corpo mente e alma se encontram abatidos
pisar em cacto era bem menos dolorido...
[REFRÃO]
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Truco6 Records (2013)
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