Mulher não tem mythos, manxs, isso já foi discutidx. Lugar de fala, utilizado como é hoje, virou um rebranding do paradigma ocidental milenar, ou até uma intensificação pesada desse paradigma.
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ROTEIRO [trecho]
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MULHERES E PODER: UM MANIFESTO
Nesse vídeo eu vou mostrar como era parecida a imagem da mulher na Grécia antiga com o que acontece hoje na mídia. Eu sigo a apresentação de uma doutora em história clássica de Cambridge, Mary Beard no livro Mulheres e Poder: Um Manifesto – link para compra na descrição.
O que ela faz nesse livro é estudar principalmente a questão da voz pública da mulher na Grécia antiga. Ela encontra na Odisséia o primeiro caso de ‘’silenciamento machista’’ já documentado, a primeira vez na história em que um homem mandou uma mulher calar a boca e “voltar ao seu lugar”. A cena é a seguinte:
Penélope e seu jovem filho Telêmaco tem uma discussão em que ela pede pra ele mudar a música, basicamente, porque os bardos estão cantando uma canção triste sobre as dificuldades do retorno da guerra de tróia – e ela, preocupada com o marido justamente nessa aventura, não quer ouvir nada disso. E aí o Telemaco, que ainda é só um molequinho, responde assim:
“Mae volte para seus aposentos e retome seu próprio trabalho, o tear e a roca. Discursos são coisa de homem, de todos os homens, e meu, mais que de qualquer outro, porque meu é o poder nesta casa.”
E ela volta! Ela acata a ordem dele
Este é o momento, segundo a mary beard, em que o telemaco deixa de ser um menino e se torna um homem na história
É que pra ela, no Homero, é uma marca do amadurecimento do menino o momento em que ele se prova capaz de silenciar as mulheres.
Mas o mais importante é o termo em grego que aparece nessa história quando o telemaco diz que discurso é coisa de homem: muthos. Muthos, que foi traduzido como discurso aqui, é a palavra que deu em mitologia e que tem o peso de “o que se diz”. O ponto é que pra eles a mulher não fala “o que se diz”, ela fala de outro lugar, um lugar específico dela. Não é que ela não pode falar, é que a fala dela não tem peso, não tem eficiência. o muthos é o que confere à uma história o peso de um mito, ao contrário das mulheres cuja fala soa aos homens como mera “tagarelice”.
Fica mais fácil entender essa história com o que ela fala sobre a peça a “assembleia das mulheres” do Aristófanes.
O ponto na peça é que as mulheres não sabem falar direito a "língua de todos", elas falam tudo da perspectiva delas. Mas elas tomam o poder com uma artimanha: num dia que era sagrado e os homens não podiam sair de casa, elas se vestiram de homens e foram à assembléia, a instituição masculina que não é nada além de um lugar onde os homens se reúnem pra decidir as coisas, e votam dar o poder pra si mesmas na ausência dos homens.
Na peça as mulheres tomam o poder da cidade com uma artimanha: num dia que era sagrado e os homens não podiam sair de casa, elas se vestiram de homens, botaram barbas falsas e foram à assembléia dos homens, que estava vazia, pra levantar a questão e votar a favor de dar todo o poder pras mulheres.
E as leis que elas fazem nessa peça de literalmente 2500 anos atrás envolve a abolição do casamento, o fim da propriedade privada, e outras ideias até hoje associadas aos movimentos femininos. Uma lei que as mulheres passam diz que sempre que um menino quer se deitar com uma jovenzinha e mulheres velhas estiverem por perto e passando vontade, o jovem precisa satisfazer a todas antes de se deitar com a jovem que deseja. Ela chegam até, em outra peça do Aristófanes, a se unir com as mulheres de outra cidade numa espécie de aliança internacional feminina em prol do pacifismo e do fim da guerra entre atenas e esparta.
+++ cenas de uma gravação antiga não listada
cenas do filme legalmente loira e garotas malvadas (mean girls)
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