Sexta-feira, dia 08 de abril, lançamento do livro Memórias de um Médico do Povo, de autoria do médico e dirigente comunista comunista Vulpiano Cavalcanti.
Sobre Vulpiano Cavalcanti e suas memórias inéditas
Quis o destino e a luta daqueles que defendem os Direitos Humanos que as memórias de um médico comunista, preso e torturado no passado, fossem publicadas num período da história do Brasil em que o país flerta com o fascismo.
Também por isso, a biografia Vulpiano Cavalcanti, memórias de um médico do povo ganha ainda mais relevância porque, além de livro, é um instrumento de informação, verdade, memória, justiça e resistência.
Nesta sexta-feira (08), o público poderá conhecer um pouco mais da história e sobre o que pensava o médico cearense Vulpiano Cavalcanti de Araújo que chegou ao Rio Grande do Norte ainda em 1937, após a insurreição comunista ocorrida dois anos antes, em 1935.
A obra, segundo livro editado pelo selo Potiguariana, será lançada a partir das 19h, no Instituto Poliglota, localizado na Rua Fiscal Vieira, 3657, Esquina com a Av. Pontes Vieira.
A obra conta com a capa e ilustrações de Cláudio Oliveira e com o apoio do médico Edrisi Fernandes, do fotógrafo Mario Takeya e do videomaker Rômulo Sckaff.
Cada exemplar custará R$ 50, dinheiro que será usado para pagar os custos desta edição e financiar futuras obras da Potiguariana.
Vulpiano veio para o Rio Grande do Norte para estruturar o PCB, que completa 100 anos exatamente na data do lançamento das memórias do médico. Cirurgião respeitado, trabalhou em Mossoró a convite do então prefeito Duarte Filho.
Foi preso em 1952 quando já exercia de forma plena suas atividades políticas. Na base aérea de Natal, acabou encarcerado durante 135 dias em uma pequena cela e foi torturado.
Os relatos da barbárie contra Vulpiano estão registrados no livro “Campo de Concentração no RN – Torturas na Base Aérea de Natal – 1952/1953”, lançado pela Potiguariana em dezembro de 2021. Após o golpe de 1964 também preso e torturado várias vezes.
O médico comunista foi um dos fundadores da Aliança Libertadora Nacional (ALN), organização que contou em seus quadros com o lendário baiano Carlos Marighella e o escritor Graciliano Ramos.
O livro de memórias, segundo conta o editor Roberto Monte, havia sido idealizado pelo próprio Vulpiano com o apoio do PCB-RN.
Roberto Monte lembra que a figura de Vulpiano Cavalcanti se assemelha a de Luiz Ignácio Maranhão Filho, duas lendas comunistas do PCB e que se dedicaram à luta pelos direitos humanos, pela democracia e em defesa dos mais pobres:
“Vulpiano, uma vez por semana, clinicava de graça no edifício 25 de março, na Cidade Alta. A fila era imensa. Esse livro começou a ser feito nos anos 1980, com o próprio Vulpiano, Hermano Paiva e outros camaradas do PCB… começaram a fazer gravações em fitas cassete.
O livro já foi preso, já passou por mãos de pessoas que já morreram e acabou nas mãos de Moacyr de Góes. Dele foi para as mãos de Mailde Pinto Galvão e só então chegou a mim”, contou.
Agência Saiba Mais
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