Fragmento: César Colorado. Autor: Rodrigo Herrmann. (Homenagem a memória de Cecília Herrmann Menezes).
"Eram os idos de 1970. Eu estava muito empenhada no estudo do piano, estudava direto e o papai me ajudava muito neste processo, sempre estava por perto conversando, explicando, dizendo da melhor maneira e como fazer; sentava comigo ao piano, enfim muito incentivo eu tive dele e estávamos bem próximos! Tínhamos ido passar uns dias em Pontal, eu, a mamãe e ele (coisa rara, pois ele ia pouco - aproveitei ao máximo!). Num determinado momento notei que ele estava escrevendo uma partitura, fiquei olhando para ele, no que ele levantou, foi até a sala e olhou na direção do horizonte, para o mar, por aquela janela grande de vidro, lembram? E disse: "Como eu me sinto bem aqui! Não existe melhor lugar para se compor do que este!". E, olhando para cima, disse entusiasmado: Eu tenho ainda um sonho, Cecília, queria fazer um mirante nesta casa, aí sim, eu viria para cá sempre que o serviço me permitisse, e eu ficaria horas a fio observando o mar... compondo. Aí, ele me levou para fora e começou a falar de como seria esse mirante.
Ele estava feliz. Observem bem para o andamento da música, é um Allegro. Entramos, e, em questão de segundos, seu semblante ficou sério e disse:
"Preciso terminar urna coisa". Então, fiquei na porta observando-o, ele pegou um lápis, borracha, apagou alguma coisa e percebi que ele fechava dois últimos compassos dizendo satisfeito: "Pronto, terminei".
Me aproximei dele nesse momento, encantada com a perfeição e desenho das notas, e, quando sentei ao lado dele, ele escreveu o meu nome na música, olhou para mim e disse: "Esta é para você".
Me senti vestida de Gala, por receber tão importante presente, um momento muito bonito!"
Информация по комментариям в разработке