Esta música não é apenas um lançamento, é um desabafo e um tributo ao meu melhor amigo, meu irmão de alma, que partiu no dia 22 de fevereiro de 2026.
📍 FICHA TÉCNICA:
Letra e Composição: [Weslei de Sousa Alves]
Data da Composição: Fevereiro de 2026
📖 LETRA:
([Verso 1
Um dia de Culto, noite fria e calada
Eu e uma morena nas motos, do lado da igreja, conversa jogada fora
Embaixo do pé de jambeiro, só nós dois esperando
Você chegou na sua, camisa escura, foi chegando
Sentou do meu lado, no banco da moto
Acendeu um cigarro, deu um trago, virou devoto
Da amizade que nascia sem saber
Naquele instante, sem promessa, sem prazer
A gente mal se conhecia, mas começou a falar
De vida, de sonho, de tudo que ia passar
Nascidos em mil novecentos e noventa e seis, com dezesseis anos de idade
Dois moleques, sem maldade
Viraram irmãos na calçada da igreja
E a vida inteira foi prova, foi peleja
[Verso 2
Aos dezoito anos ele casou, formou família
Assumiu responsa, segurou a barra, que maravilha
Mas o amor desandou, a casa desmoronou
Infidelidade, um erro que ninguém perdoou
Dali pra frente, a vida dele desandou
Caminhos errados, noite escura, ele se perdeu
Prisão, liberdade, encontro, desencontro
Mas quando a gente se via, o amor ardia no ponto.
[Verso 3
Mais de quinze anos de história, meu irmão
Mais de quinze anos de altos e baixos no coração
Teve vez que a gente passou meses sem se ver
Mas quando se via, era como amanhecer
Teve vez que eu fui te buscar na cadeia
Você saiu cabisbaixo, alma em teia
Eu disse: "Vamo embora, recomeça, tô contigo até o fim"
E a gente seguia, irmão, amigo
Outras vezes era você que me achava no fundo do poço
Com um abraço apertado, sem alvoroço
A gente se entendia no olho, no silêncio
Amizade de verdade não tem preço, não tem tempo
E mesmo nos dias que o mundão separou
O coração da gente nunca distanciou
Porque irmão de alma é laço que não quebra
É chão que não treme, é luz que não se encerra
[Pré-Refrão
Mas o mundão não perdoa quem se perdeu
E dessa vez o destino não escolheu
O dia vinte e dois de fevereiro de dois mil e vinte seis
A data que partiu meu irmão de uma vez
[Refrão 1
Vinte e dois de fevereiro de dois mil e vinte seis
O dia que a notícia chegou antes do sol
Acordei com a voz tremendo, com o choro na garganta
"Diz que não é ele, diz que a notícia é quem engana"
Mas era você, meu irmão
Três tiros acima do peito, perfuraram seus pulmões
Te levaram pro hospital, mas você já tinha ido
E eu aqui, sem despedida, sem ter te visto
Vinte e dois de fevereiro de dois mil e vinte seis
A data que eu risquei do calendário
O dia que a morte levou meu irmão, meu melhor amigo, meu porto
[Verso 4
Era manhã cedo quando o telefone tocou
Atendo e ouço: "Prepara, que é teu irmão que se foi"
O chão sumiu, a casa rodou
Eu gritei seu nome, mas ninguém respondeu
Corri pro hospital, entrei feito louco
"Deixa eu ver ele, deixa eu ver ele só mais um pouco"
Mas quando cheguei, você já tava frio
Coberto dos pés à cabeça, num leito vazio
Três tiros, três pontos finais
Três marcas que o tempo não apaga jamais
Te levaram à força, sem chance de defesa
Ceifaram sua vida com a maior das certezas
[Ponte
Sabe o que mais dói?
É não ter podido olhar nos teus olhos uma última vez
É não ter ouvido tua voz, mesmo que fosse um "tô bem"
É não ter te abraçado, sentido teu cheiro
É você ter ido dormir e eu acordar no inferno
Eu daria tudo, tudo o que eu tenho
Pra te ver sentado na moto, embaixo do jambeiro
Na noite de culto, com a morena do lado
Pra te ouvir me chamando de "mano"
[Verso 5
Hoje eu passo na frente da igreja e paro
Olho pro jambeiro, pro lugar sagrado
A luz do poste ilumina o mesmo chão
Mas tua moto não tá mais no estacionamento, não
E finjo que você vai chegar pela porta
Dizer que foi engano, que a morte foi torta
Que ainda tem muito chão pra gente caminhar
Muita história pra viver, muito o que contar
[Ponte Final
Dizem que o tempo cura, mas o tempo é mentiroso
Ele passa, mas o buraco aqui dentro é monstruoso
Eu carrego seu nome tatuado na alma
E a certeza que a vida nunca mais vai ser calma
Teve gente que veio, gente que passou
Mas mais de quinze anos ao teu lado, ninguém apagou
Você foi meu espelho, minha força, meu chão
Agora eu ando manco, sem seu coração
[Refrão 2 - Final
Vinte e dois de fevereiro de dois mil e vinte seis
O dia que o mundo parou
O dia que a notícia chegou antes do sol
Acordei com a voz tremendo, com o choro na garganta
"Diz que não é ele, diz que a notícia é que engana.
Vinte e dois de fevereiro de dois mil e vinte seis
A data que eu risquei do calendário
O dia que a morte levou meu irmão, meu sangue, minha alma
Metade de mim morreu contigo naquele leito
E a outra metade vive só pelo respeito
De carregar sua memória e honrar nossa história
Até o dia que eu fechar meus olhos e encontrar você na glória
Um dia vou te encontrar
Embaixo do jambeiro, sem pressa pra voltar
Cada um na sua moto, noite de culto outra vez
Meu irmão, meu amigo, minha paz
Descansa em paz.
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