O Teatro e a Peste | Antonin Artaud
Leitura de Paula Malheiros e Hilton Vasconcellos / Sede das Cias (Rio de Janeiro, Brasil)
Direção: Cesar Augusto
Diretor assistente: João Gofman
Realização: Cia. dos Atores (Rio de Janeiro9
A 6 de abril de 1933, a convite de René Allendy, Antonin Artaud propôs ao público da Sorbonne uma conferência com o estranho título “O Teatro e a Peste”. Ninguém prenunciava o espetáculo que ali iria ter lugar. A única documentação existente é apresentada no Diáriode Anaïs Nin: “Allendy e Artaud sentados atrás de uma grande secretária. Allendy apresentou Artaud. A sala estava apinhada. (…) não há palavras para descrever o que o Artaud interpretava no estrado da Sorbonne. Esquecia a conferência, o teatro, as suas ideias, o doutor Allendy ao seu lado, o público, os jovens estudantes, a sua mulher, os professores e os encenadores. Tinha o rosto em convulsões de angústia e os cabelos ensopados em suor. Os olhos dilatavam-se, enrijava os músculos, os dedos lutavam para conservar a flexibilidade. Berrava. Delirava. Representava a sua própria morte, a sua própria crucificação. As pessoas começaram a ficar de respiração cortada. Depois desataram a rir. Toda a gente ria! Assobiava. Por fim, as pessoas foram saindo uma a uma, com um grande ruído, a falar, a protestar. Ao saírem, batiam com a porta. (…) Mas Artaud continuava, até ao último suspiro.”
Derivado da pandemia Covid-19, os teatros um pouco por todo o mundo estão vazios. John Romão e Salomé Lamas gravaram 5 atores em 5 teatros de Lisboa e Viseu que recriam, durante o período de confinamento obrigatório (Abril de 2020), a conferência "O Teatro e a Peste" de Antonin Artaud.
Paralelamente, propuseram a atores e diretores de diferentes cidades e países para lerem um excerto do texto da conferência "O Teatro e a Peste", num teatro local vazio, onde o público está impedido de entrar. Este é um dos vídeos-resposta.
Expansões geográficas
"O Teatro e a Peste" converte-se numa partitura de texto e de vídeo, expandida a outras cidades portuguesas e estrangeiras, contaminando assim geograficamente, como um vírus, o espaço e as pessoas, ao ser recriado por atores de cidades diferentes em teatros vazios.
Publicamos as respostas generosas por parte de atrizes e atores que têm estado a gravar-se em teatros vazios das suas cidades, portuguesas e estrangeiras. Estes vídeos são publicados sem aviso prévio, como um vírus, e chegarão de teatros de cidades como Faro, Funchal, Porto, Rio de Janeiro, Chicago, Barcelona ou Trieste, trazendo consigo a ressonância de corpos, identidades, línguas, arquiteturas, contextos políticos e sociais diversos.
Acompanhem o mapa do vírus "O Teatro e a Peste": https://www.google.com/maps/d/embed?m...
Texto: Antonin Artaud
Tradução: Aníbal Fernandes e John Romão
Conceção: John Romão
Produção original: BoCA
Agradecimento: Cesar Augusto, Tiago Cadete, Sede das Cias
+info www.bocabienal.org
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