Olá, amigos do canal:
Fomos para a fila da balsa ainda com o sol baixo, aquele sol manso da Paraíba que não queima, apenas ilumina. A travessia entre Cabedelo e Lucena não é apenas um deslocamento entre dois pontos do mapa: é um rito de passagem lento, quase cerimonial, em que o tempo desacelera e o olhar ganha espaço para vagar. Ao embarcar, sentimos imediatamente que estávamos entrando em outro ritmo. Nada de buzinas nervosas ou relógios apressados. A balsa parte quando todos estão a bordo, e isso já diz muito sobre a filosofia do percurso. Quer fazer esta travessia também? Vem comigo.
Assim que o motor da balsa começou a roncar, fomos para a sua lateral para observar o encontro das águas do Rio Paraíba com o Atlântico. É ali que a paisagem faz questão de se exibir. De um lado, Cabedelo com seu porto, seus armazéns e a silhueta urbana que lembra que a capital, João Pessoa, está logo ali. Do outro, Lucena surge mais discreta, envolta por coqueirais, prometendo tranquilidade antes mesmo do desembarque. Entre esses dois mundos, o rio segue largo, sereno, refletindo o céu como um espelho em movimento.
A bordo, a experiência é democrática e curiosa. Turistas com câmeras penduradas no pescoço dividem espaço com moradores locais que fazem a travessia quase como quem atravessa uma rua. Caminhoneiros, motociclistas, ciclistas, famílias inteiras, todos convivendo por cerca de quinze minutos que parecem menos pelo prazer da observação. O vento que sopra constante refresca o rosto, enquanto o cheiro levemente salgado anuncia a proximidade do mar. Gaivotas acompanham a embarcação por alguns instantes, como se também fizessem parte do serviço turístico.
O que mais chama a atenção é o silêncio confortável. Mesmo com o barulho do motor, há uma sensação de pausa. As conversas são baixas, quase respeitosas com a paisagem. Muitos aproveitam para fotografar o Forte de Santa Catarina ao longe, outros simplesmente encostam no guarda-corpo e deixam os pensamentos seguirem o curso do rio. Fizemos exatamente isso: observamos, respiramos fundo e percebemos que aquela travessia já era, por si só, um passeio completo.
À medida que Lucena se aproxima, os coqueiros ficam mais definidos, a faixa de areia se alonga diante dos olhos e a sensação é de chegada a um litoral mais simples, mais cru, mais autêntico. Não há pressa para desembarcar. Os veículos se alinham com calma, os passageiros se despedem daquele breve convívio improvisado e a balsa encosta suavemente no atracadouro.
Ao colocar os pés em Lucena, tivemos a clara impressão de que a viagem já havia valido a pena antes mesmo de explorar a cidade. A travessia de balsa não é apenas o caminho mais curto entre Cabedelo e Lucena; é o mais bonito, o mais humano e, sem dúvida, o mais memorável. Para quem visita a Paraíba, atravessar o Rio Paraíba dessa forma é entender que, às vezes, o trajeto é tão importante quanto o destino.
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